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“Eram exatamente cinco horas da manhã daquele dia sete quando você me ligou totalmente bêbado, e eu lembro exatamente tudo o que você disse. Nem em mil anos eu seria capaz de esquecer a sua voz rouca saindo com dificuldades por causa de toda a bebida que você tomou. Eu lembro até por quantos segundos meu coração parou quando você disse que era meu, que eu tinha te ganhado logo quando você tinha me perdido. Mas a verdade é que você não tinha me perdido, e eu nunca tive você como achei que tinha um dia. Eu passei um grande tempo achando que tinha você, quando na verdade eu não cheguei nem a ter sua metade completa. E naquele dia no qual eu te falei que estava cansada dessa relação-que-não-era-uma-relação e você respondeu apenas com um “ok” friamente, eu percebi que você não era meu. E depois você saiu por aquela porta sem ao mínimo me dar tchau. Você sempre foi de entrar por uma porta sem ser mandado e sair da mesma forma, por isso eu não me importei tanto com você tentando fazer o mesmo mais uma vez. Eu também lembro que os dias que passei sem saber nada sobre você, sem saber se tu tava bem ou não, me fizeram pensar mais em você do que os dias que passamos juntos. Tudo me lembrava você. Aquela sua blusa com seu cheiro que eu deixava guardada dentro da minha gaveta, aquela minha música favorita que você cantou naquela tarde na qual pela primeira vez tentou ser romântico e deixou quase todo o seu jeito babaca de lado, até mesmo aquela madrugada do dia sete que você escolheu pra me ligar me lembrou de você. Ela estava nebulosa e fria, assim como eu fiquei quando você foi embora. Também não me surpreendi com o fato de você ter me ligado bêbado, até por que você nunca conseguiu falar o que queria sem ter tomado um bom porre. Você sempre se esconde no meio de todas as palavras que não consegue colocar pra fora, por puro orgulho. Esse é o teu jeito, ninguém pode mudar. E foi sabendo desse teu jeito que eu saí da minha cama, naquela madrugada fria, e abri a porta da minha casa pra você entrar… Como nos velhos tempos.”
“Tem milhares de coisas que eu gostaria de te dizer. A maioria tá entalada aqui, na minha garganta. O problema é que eu não sei como fazer isso. Não é simples, não pra mim.”
She is drunk.

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